Porque nós também blogamos! :)
A Microsoft desvelou novas linhas de direção da companhia, terça-feira,
destinadas a esclarecer como lidará com as demandas de censura do
governo, tanto na China como em qualquer lugar em que fizer negócios, e
limitar o impacto de sua submissão.
A empresa estava respondendo às críticas que seguiram sua decisão de
desativar, cinco semanas atrás, a pedido do governo Chinês, os relatos
online de um popular ‘blogueiro’ em Pequim, que usava a rede da Microsoft.
Entre as mudanças delineadas pelo conselheiro geral da companhia,
Bradford L. Smith, em seu Fórum de Líderes de Governo, estavam um
compromisso de bloquear o conteúdo – tipicamente conteúdo pessoal de
blogs – em seus serviços de MSN Spaces somente quando espaço
desrespeitar “aviso legal do governo indicando que o material infringi
leis locais, ou se o conteúdo violar os termos de uso do MSN”.
A companhia também está desenvolvendo uma tecnologia que bloquearia o
conteúdo no país que fizer o pedido, enquanto o preserva para o resto do
mundo vê-lo. A Microsoft também disse que desenvolveria um sistema de
“notificação transparente ao usuário”, para que, então, usuários cujos
blogs foram desativados por ordem de autoridade sejam notificados por
uma mensagem quando tentarem acessar seus sites, ao invés de darem de
cara com uma página fora do ar.
As novas políticas não teriam prevenido a censura dos ‘blogueiro’
chinês, Zhao Jing, que também trabalha como assistente de pesquisa na
filial do The New York Times em Pequim.
Mas Smith disse que esse problema e outros eventos recentes levaram a
companhia a tomar “um pensado passo para trás”.
“Nós temos agora, eu acho, um fundamento com princípios para nós
trabalharmos com o MSN Spaces e blogs”, alegou Smith em um telefonema de
Lisboa. Ele acrescentou que, dado o campo de outras tecnologias de
Internet se expandirem dentro do mercado global, “nós podemos precisar
completar esses princípios com acréscimos específicos para essas
tecnologias em particular”.
“Essa não é uma questão de um único país ou uma única companhia”,
afirmou Smith.
O anúncio da Microsoft vem logo após o Google dizer que entraria no
mercado chinês com uma visão alterada de seu motor de buscas, que filtra
palavras e assuntos considerados inapropriados por censores do governo.
E tem havido crescente preocupação nesse último ano sobre até onde
companhias norte-americanas de tecnologia parecem dispostas a se curvar
às demandas do governo Chinês para obter acesso a seu fomentado mercado.
A congressional Convocação dos Direitos Humanos, co-presidida pelo
Representante Tom Lantos, democrata da Califórnia, e o Representante R.
Wolf, republicano da Virginia, terá uma audiência sobre a questão esta
tarde. Representantes do Google, Microsoft, Yahoo e Cisco, todos,
rejeitaram convites para comparecer.
O sub-comitê da Casa sobre direitos humanos também agendou uma audiência
para 15 de fevereiro, e convidou todas as quatro companhias para
testemunhar.
O comitê, diferentemente da convocação, tem poder de intimação. “É
certamente uma opção”, disse Brad Dayspring, um porta-voz do
Representante Chris Smith, republicano de Nova Jersey, e presidente do
sub-comitê. “Até agora isso não é parte das discussões”.
Nenhuma das quatro companhias, até agora, concordaram em dar testemunho
oficial perante o comitê, disse Dayspring.
Em seu blog no MSN Spaces, Zhao, o ‘blogueiro’ cujo site foi removido no
final do ano passado, tinha feito comentários sobre uma recente greve de
jornais que o governo chinês avaliou impropriamente. Autoridades da
China chamaram a afiliada da MSN Spaces em Xangai, e depois de curta
consulta com executivos em Seattle, o site de Zhao ficou na penumbra ao
redor do globo.
Smith disse que o processo legal foi válido e seria seguido
semelhantemente sob as novas regras de conduta da empresa. Mas, disse
ele, usando a tecnologia que a companhia tem trabalhado na “últimas
várias semanas”, surfistas da web procurando ler blogs nos servidores do
MSN Spaces – os quais são localizados nos EUA – terão acessos aceitos ou
negados baseados em suas localizações geográficas.
Tendo esse sistema sido perpetuado depois que do pedido do governo para
desativação, em dezembro último, usuários da Internet na China não têm
sido capazes de ver o blog de Zhao, que teria permanecido para outros
países. Zhao, entretanto, não mais tem acesso para atualizar o site.
Ele veria apenas uma mensagem de que seu site tinha sido finalizado a
pedido do governo.
“Uma das coisas que nós observamos, Até onde a jurisdição do governo
alcança?”, pergunta retoricamente Smith. “Na maioria dos países, um
governo tem jurisdição sobre o fluxo de informação de seus usuários, mas
não possuem jurisdição sobre o fluxo de informação de usuários do resto
do mundo”.
As linhas de direção foram elogiadas na conferência de Lisboa por Mary
Robinson, a ex-alta comissária da ONU para direitos humanos, que disse
que elas eram “profundamente significantes”.
Mas Julien Pain, que encabeça a mesa de Internet no Repórteres Sem
Fronteiras, um grupo parisiense de liberdade de imprensa que tem
monitorado censura na Internet e o aprisionamento de ‘blogueiros’ na
China, chamou o a implementação de “vitória ilusória”
“Há um lado bom e um lado ruim”, disse Pain. “Está claro que eles
começaram a pensar sobre responsabilidade ética. Mas isso também mostra
que eles aceitam censura, e que eles acreditam nessa nova forma de
Internet, na qual os direitos de usuários irão variar de acordo com a
origem geográfica”.
Isso, ele disse, “está em direta contradição com a idéia original do que
a Internet deveria ser – algo sem barreiras, sem fronteiras”.
Fonte: Último segundo
A internet tem cerca de 27,3 milhões de diários virtuais, também conhecidos como blogs. Segundo as estimativas divulgadas pela empresa de pesquisa Technorati nesta semana, cerca de 70 mil destas páginas são criadas diariamente em todo o mundo. O número de posts diários chega a 700 mil ou 29,1 mil atualizações feitas a cada hora.
A companhia estima ainda que a quantidade de blogs disponíveis na web dobra a cada cinco meses e meio. Do total de diários virtuais existentes, 2,7 milhões são atualizados pelo menos uma vez por semana, enquanto 1,2 milhões recebem novas informações diariamente.
"Nesta velocidade, é impossível ler tudo o que aparece de importante sobre determinado assunto", afirmou David Sifry, fundador da Technorati, segundo o site "Cnet". "O desafio é encontrar as informações mais interessantes e confiáveis dentro deste universo."